Cinco diretrizes para campanhas políticas na web

O Brasil já possui quase 70 milhões de internautas, que passam quase três vezes mais tempo diante do computador do que na TV. O país está entre os dez com maior número de usuários de redes sociais e o segundo no Twitter. Quase 60% das pessoas só concretizam um negócio depois de pesquisar a web.

Sem dúvida, a internet já faz parte de nossas vidas: nos relacionamentos, no lazer, no trabalho, nas compras, nos negócios. E em 2010 vai passar a fazer parte também da nossa política. Pela primeira vez no Brasil as redes e mídias sociais terão poder de influência sobre as eleições para presidência, governos estaduais, senado e Câmara dos Deputados. Se o impacto será tão grande quanto o que elegeu Barack Obama nos EUA ainda é cedo para dizer, mas com certeza vai mudar a forma de se fazer política no país.

Por um lado, amplia-se a possibilidade de comunicação dos candidatos (que não se restringe mais apenas à mídia tradicional e ao jurássico “horário eleitoral gratuito” no rádio e na TV) garantindo repercussão imediata, como o recente “twitaço” da candidata Marina Silva que garantiu 100 mil novos seguidores em apenas um dia. Por outro, abre um canal direto para o eleitorado acompanhar e cobrar os candidatos, o que os obriga a ser mais transparentes em suas ações.

Para se adequar à internet e conquistar os eleitores, os candidatos precisam inserir suas campanhas no ambiente digital e isso requer novas diretrizes, em muitos casos totalmente opostas às campanhas tradicionais. Por esse motivo veremos a dificuldade de muitos em se adaptar, pois os meios de comunicação da internet como os blogs, redes e mídias sociais não são apenas veículos de propaganda, mas formas de diálogo com os eleitores, opinião pública, imprensa e a sociedade como um todo. Dessas diretrizes, as principais são:

Descentralização: ao contrário das campanhas tradicionais, que tendem a monopolizar toda a comunicação e disseminação de mensagens, a ordem na internet é descentralizar, ou seja, incentivar os correligionários e simpatizantes a criar os próprios meios para divulgar seus candidatos. Nesse caso, o comitê da campanha funciona como uma fonte de referência de conteúdo, colocando à disposição informações e notícias e fornecendo orientação a quem quiser formar a sua comunidade em prol do candidato ou partido.

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Mídias sociais vão municiar embate nas ruas e no vídeo entre candidatos

Na primeira eleição presidencial brasileira após a bem sucedida campanha digital online que elegeu Barack Obama nos Estados Unidos, as coordenações das duas principais candidaturas já estruturaram seu núcleo de internet e decidiram o que importarão para a internet da experiência americana de dois anos atrás: uma extensa base de dados dos possíveis simpatizantes e muita informação em áudio e vídeo para municiá-los no embate político.

A diferença é que cada lado irá dar prioridade ao seu conteúdo na rede em acordo com a estratégia definida pelas cúpulas da campanha. O PT insistirá nas comparações entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao passo que o PSDB tentará levar à rede o embate de biografias entre seu candidato, José Serra, e a petista Dilma Rousseff.

A expectativa de ambos é fazer com que a acirrada disputa que se verá na tevê, no rádio e nas ruas seja abastecida com informações fornecidas pelas campanhas na internet e amplificadas dentro e fora dela pela rede de apoiadores obtida nas redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter. Os dados também serão divulgados pelos telefones celulares.

Essas deverão ser as principais influências da campanha americana, já que não há grandes perspectivas de doações financeiras online, por dois motivos: o baixo crédito dos políticos ante a opinião pública e a falta de tradição no país de que pessoas físicas colaborem com dinheiro para as candidaturas. A expectativa da presença da tecnologia da informação, porém, é bem alta. Tanto que, desde o ano passado, tucanos e petistas conversam com os dois principais nomes da campanha de Obama: Scott Goodstein, da empresa Revolution Messaging; e Ben Self, da Blue State Digital.

Goodstein foi ” diretor online externo ” de Obama e cuidou da estratégia nas redes sociais e nos celulares. Conseguiu 2 milhões de simpatizantes no Facebook, 1 milhão no MySpace e mais de 100 mil no Twitter. Criou ainda o ” Obama Mobile ” , com mensagens de texto, site móvel (WAP) e downloads de conteúdo pelo celular. Continue lendo